Curiosidades

Mangue ou manguezal?

  É comum ver os termos “mangue” e “manguezal” serem utilizados como sinônimos, porém há uma diferença entre ambos que deve ser observada. Manguezal é o ecossistema, o que engloba os fatores bióticos (vegetação, fauna, microrganismos etc.) e abióticos (solo, águas etc). Já mangue é o termo utilizado para designar a vegetação característica dos manguezais, que são geralmente árvores com raízes aéreas e outras adaptações para viver neste ambiente.

Onde os mangues se originaram?

  Pesquisas indicam que as várias espécies de árvores de mangue originaram-se nas regiões do Indo-Pacífico, uma vez que nestas regiões há uma maior diversidade de espécies. Teorias sugerem que a sua migração para outras regiões do mundo, inclusive para a costa do Brasil, ocorreu há alguns milhares de anos atrás, através do transporte de propágulos de mangue (sementes germinadas) pelas correntes marítimas, quando os continentes encontravam-se mais próximos uns dos outros.

Qual a importância dos mangues pros brasileiros?


   A exploração dos manguezais não é algo recente. Desde a época da Monarquia, a Coroa portuguesa já extraía o tanino, substância encontrada nas cascas das árvores do manguezal para o curtimento de couros e outros tecidos.
  Muitos não sabem, mas a importância social mostra que muitas pessoas vivem do manguezal e dependem desse ambiente para sobreviver. Por exemplo, só em Pernambuco, mais de 20 mil famílias de pescadores sobrevivem da pesca artesanal e da coleta de moluscos e crustáceos! Não só os peixes dependem desse ecossistema para sobreviver.
   Os manguezais, usados pelos homens dos sambaquis há mais de 7 mil anos e, a partir de então, pelas populações que os sucederam, fornecem uma rica alimentação proteica para a população litorânea brasileira. A pesca artesanal de peixes, camarões, caranguejos e moluscos é para os moradores do litoral a principal fonte de subsistência.

O que pode ser obtido do mangue?

   Vários produtos podem ser obtidos dos manguezais como remédios, álcool, adoçantes, óleos, tanino, etc... Sua área pode ser utilizada para turismo ecológico, educação ambiental, apicultura, piscicultura e criação de outras espécies marinhas, além de sua principal função que é o de ser berçário de várias espécies vegetais e animais. Curandeiras empregam diferentes produtos vegetais fazendo uso de suas propriedades bactericidas e adstringentes na cura de várias moléstias comuns ao ambiente. 
   O tanino, produto obtido da casca das árvores, serve para proteger as redes e as velas das embarcações.

Como está a proteção dos mangues pelo Código Florestal Brasileiro?

   Já foram devastados cerca de 50 mil hectares de áreas de manguezais nos últimos anos, segundo dados atuais do Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável de 2012!
     E agora, a elaboração do Novo Código Florestal tem gerado polêmicas e já reuniu mais de 2 milhões de assinaturas contrárias ao projeto. A pesquisadora Yara Shaeffer-Novell estima que o resultado dos acordos neste Código poderão gerar mais 190 mil hectares de manguezais degradados (80% das espécies marinhas vem dos manguezais)! Imagine só!!!
    Na opinião do representante da ONG Baobá, Haroldo Mota, um dos pontos mais escandalosos do novo código é o fato de não terem ouvido cientistas nem especialistas: “Não deram ouvidos à Associação Brasileira de Ciência, nem a nenhuma entidade científica." O novo Código Florestal possui uma série de resoluções que potencializam a degradação do sistema manguezal, prevê a ocupação em 35% do manguezal no Nordeste brasileiro. Isso pode ampliar na Amazônia, ocupando 10%, o que significa que mais de 450 mil hectares de manguezais podem ser degradados, destruídos, fragmentados para dar lugar, por exemplo, a uma atividade de carcinicultura (criação de camarão), que é extremamente nociva a esse ecossistema.
   O manguezal é a base da produtividade dos nossos mares, controla as enchentes e as inundações, amortece as consequências previstas pelo aquecimento global, no sentido de proteger a costa contra a erosão costeira e também captura de dióxido de carbono. Todas essas funções ambientais estão em risco com esse novo Código Florestal!

Você sabia?

   No Brasil, só existe um parque nacional a compreender exclusivamente o ecossistema da Restinga, o Parque Nacional da Restinga da Jurubatiba (ou PARNA de Jurubatiba). É o único lugar do mundo em que se encontra o micro-crustáceo Diaptomus azuros, que segundo pesquisadores da UFRJ, só tem similares na costa oeste da África, provando, portanto, que este continente já foi unido com a costa do Brasil em tempos remotos.
 

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